Presidente Artur Bueno Júnior

Os erros do governo no novo Auxílio Emergencial

O Governo Federal sinaliza ceder, no tocante à continuidade do Auxílio Emergencial, diante do novo pico da pandemia do Coronavírus, e de sua própria incapacidade de prover a vacina para todos os brasileiros. A economia segue abalada, e não estão descartados novos períodos de fechamento, o que obriga a assistência da população mais carente sob pena de efeitos gravíssimos. Além disso, o presidente demonstra medo pela evidente perda de popularidade neste momento.

Durante uma entrevista, o presidente Jair Bolsonaro acenou com o pagamento de R$ 200 ou R$ 250, nos moldes da primeira leva do Auxílio, por um período de três ou quatro meses. Até Paulo Guedes, obcecado pela defesa do teto orçamentário, também fala nisso. Sinal de que o caráter inevitável do novo auxílio já sensibilizou os mais duros corações. Mas e o valor?

É preciso esclarecer ao presidente e seu ministro que os R$ 200 ou R$ 250 estão longe de prover a alimentação mensal de uma família – segundo o IBGE, o preço da Cesta Básica se aproxima dos R$ 1.000 na cidade de São Paulo. Se os R$ 600 eram uma quantia que já se mostrava incapaz de prover qualquer cidadão em situação de pandemia, o que se dirá dos R$ 200 ou R$ 250?

Ainda há mais problemas com o modelo deste novo auxílio, que têm sido citados a cada dia. A obrigatoriedade de um curso de capacitação aparece como solução milagrosa. Numa mente distante da realidade como a do presidente, tal curso poderia significar a obtenção de um emprego no prazo de três meses. Emprego capaz de sustentar a família do indivíduo, e quem sabe impulsionar sua carreira – balela.

A exigência de um curso de qualificação passa a mensagem de que temos uma oferta grande de empregos, e que estas pessoas estão desempregadas porque não estudam. Ignora-se que a falta de oportunidades decorre da situação da nossa já combalida economia, da nossa enorme desigualdade, e de estarmos no meio de uma crise econômica e sanitária.

Tal solução não foi debatida com o movimento sindical, e muito menos com institutos especializados em qualificação profissional. Pelos anúncios erráticos do governo, supõe-se que as empresas proverão estes cursos, uma obrigação que torna ainda mais evidente o seu fracasso sob qualquer perspectiva. Confundiu-se auxílio para viver, com auxílio para obter um emprego.

Além disso, criar um curso como condição para o recebimento do valor parece uma tentativa do governo de dificultar o acesso ao dinheiro. Não bastou expor milhões de brasileiros à tortura humilhante nas filas da Caixa Econômica Federal, e seu monopólio nesta distribuição de valores? Em meio à pandemia, durante o pagamento inicial do Auxílio, víamos multidões enfrentando sol e chuva, e o próprio risco de contaminação pela Covid.

A urgência atual pelo aumento da Covid parece enterrar um sonho de Paulo Guedes. “Aterrissar” o auxílio – nas palavras dele mesmo – num ambiente de Bolsa Família. Vitaminar o Bolsa Família, de modo a tornar este gasto com a pandemia de forma permanente, suavizado e ampliando o programa. Um delírio que nunca avançou, por falta de vontade política e mesmo falta de objetivos. Especialmente, a ausência total de uma solução para custeio.

Para encerrar, a maldade combinada com a burrice. A associação entre o recebimento das parcelas do auxílio emergencial com o programa da Carteira Verde e Amarela. A mesma confusão que existia com os cursos, no caso a bagunça entre o Auxilio Emergencial, que é assistencial, e a geração de empregos. Tudo no contexto deturpado da obsessão pela desregulamentação do trabalho. Menos direitos e mais empregos.

É preciso atenção para os passos confusos desta dupla Bolsonaro-Guedes. E quem precisa estar mais atento é o Congresso Nacional, agora atuando sob a batuta de dois presidentes ligados ao Planalto. Se o momento é atípico e de urgência, isto não pode ser motivo para a aceitação das maiores bobagens e atrocidades que se possa produzir, no tocante a políticas públicas.