Presidente Artur Bueno Júnior

CPI da Covid no Senado: o Raio-X de um genocídio

O avanço dos trabalhos da CPI da Covid-19 no Senado vai mostrando cada vez mais a postura negacionista de Jair Bolsonaro em relação ao combate da doença, e as razões da posição deplorável do Brasil hoje. Uma sequência de erros e crimes para com a saúde pública, e que levaram até agora aos quase 500 mil óbitos registrados.

Criada sob a desconfiança do uso político, a Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado desnudou fatos terríveis, numa investigação que engrandece sua trajetória. Evidenciou a lógica assustadora de um “gabinete de aconselhamento” de Bolsonaro, grupo profundamente negacionista, inimigo da ciência e incompetente.

Por diversas vezes, ficou claro que se tentava criar uma “imunidade de rebanho” espontânea, permitindo que o vírus contaminasse a seu bel-prazer. Num primeiro momento, negligenciou-se a compra de vacinas – o vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) revelou que 53 e-mails da Pfizer ficaram sem resposta do governo brasileiro no ano passado. Bolsonaro não teve interesse em imunizar a população, quando todas as evidências já apontavam para esta urgência.

Além disso, o presidente sabotou publicamente todas as medidas restritivas adotadas pelos estados e municípios. De maneira sórdida, capitalizou o sentimento de alguns, bradando uma liberdade econômica sem cuidados com a contaminação. Milhões o acompanharam neste movimento, e também rejeitaram máscaras ou álcool em gel. Milhares morreram assim.

A CPI também provou que Jair Bolsonaro promoveu o tratamento precoce sem evidência cientifica comprovada, e desinformou sobre as vacinas. A adoção suicida desta alternativa drenou milhões dos recursos da saúde, mas especialmente desfocou a consolidação de uma política de saúde adequada para o momento.

Os depoimentos aos senadores da CPI também provam que Bolsonaro foi negligente no enfrentamento da crise no Amazonas, por meio das ações do seu ministro da Saúde. Eduardo Pazuello só não pode ser chamado de genocida, tal qual seu chefe, pois ficou clara a submissão ridícula a que se submeteu. Submissão acompanhada de incompetência, e da demora em prover cilindros de oxigênio num momento de crise humanitária. Manaus parece ter sido um “experimento” para o governo federal, na busca da imunidade de rebanho. Enquanto as pessoas morriam por falta de oxigênio, Pazuello oferecia comprimidos de cloroquina.

Diante dos fatos apurados pela Comissão, ao invés de corrigir sua rota e visitar hospitais para saber mais sobre a realidade da pandemia e o sofrimento das famílias destruídas pela Covid-19, o presidente organizou e participou de uma “motociata”. Um passeio de motos reluzentes; entregadores de Apps não foram.  O ato custou cerca de R$ 1,2 milhão aos cofres públicos e promoveu aglomeração de gente sem máscara. Um escárnio perfeito para a população e a comunidade científica, além da CPI que tanto evidenciou seus crimes.

O que sempre dissemos, se torna cada vez mais claro pelo trabalho da CPI da Covid. Seu diagnóstico deve balizar nosso tratamento para com o genocídio de meio milhão de brasileiros, e possibilitar punições para aqueles que estão com as mãos sujas de sangue. O povo brasileiro deve acompanhar o relatório final, e cobrar as devidas providências.