STIAL critica proposta de livre negociação do regime de trabalho, de Flávio Bolsonaro
A direção do STIAL (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação de Limeira e Região) expressou profunda preocupação, diante do posicionamento do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, que defendeu a “livre escolha do trabalhador” para negociar sua jornada e escala de trabalho.
Em declaração de campanha, o candidato sugeriu “de forma utópica” segundo a entidade, que o funcionário detém o poder de decidir, por conta própria, quantas horas e em quais dias irá trabalhar. Aliado a isto, Flávio articula uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que libera a remuneração por hora trabalhada, conceito visto por especialistas como nocivo aos direitos e à saúde dos empregados.
“Este tipo de pensamento reflete a total desconexão de quem nunca pisou no chão de uma fábrica, ou vivenciou a dura rotina de uma linha de produção. É a reprodução fiel da mentalidade da maioria dos patrões”, apontou o presidente do STIAL, Artur Bueno Júnior. “Desde quando o trabalhador tem o poder de escolher seu regime de trabalho? A realidade do mercado é de imposição, não de escolha”, continuou.
REDUÇÃO DA JORNADA
O dirigente sindical lembrou que o Sindicato já manifestou oficialmente seu apoio à PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que acaba com a escala 6×1, e reduz a jornada semanal de trabalho sem redução de salários. Para a entidade, a mudança é uma medida urgente, necessária e que historicamente está inclusive atrasada.
“A última grande redução da jornada laboral no Brasil ocorreu há quase 38 anos, com a promulgação da Constituição de 1988. Desde então, a tecnologia avançou e o mundo do trabalho evoluiu drasticamente, sem que houvesse uma contrapartida justa no tempo de descanso e na qualidade de vida da classe trabalhadora”, analisou.
Para ele, é fundamental que a classe trabalhadora saiba o que pensam os candidatos sobre temas que impactam diretamente a saúde física, mental e familiar dos operários. O STIAL reforça que continuará mobilizado na pressão por direitos que acompanhem a evolução dos tempos modernos.





